Viver em uma sociedade majoritariamente ouvinte apresenta diversos desafios para a comunidade surda, especialmente no que diz respeito ao acesso à informação e ao entretenimento. Neste contexto, a acessibilidade audiovisual desempenha um papel fundamental, proporcionando oportunidades para os surdos acessarem conteúdos relevantes em sua própria língua e de forma inclusiva. No entanto, a escolha entre legendagem e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio de acessibilidade pode ser um ponto crucial na garantia da compreensão e participação plena dos surdos.
Um estudo recente realizado por Maria Izalete Inácio Vieira da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC- Polo UFC) com um grupo de surdos bilíngues, um intérprete de Libras e um legendista oferece insights valiosos sobre os desafios e soluções relacionados à acessibilidade audiovisual. Durante a análise do filme “O Grão”, os participantes assistiram a trechos com legendas e posteriormente com a janela de Libras, revelando diferenças significativas na compreensão e na experiência do conteúdo.
#ParaTodosVerem. Na imagem acima, está representado o símbolo do sinal de Libras, composto por uma mão erguida e outra abaixada, além de dois traços indicando um movimento. Sobre o sinal, encontra-se o número 1 em cor rosa, seguido pelo termo “Libras” na mesma tonalidade. Ao lado, aparece o termo “ou” a representação gráfica do CC (Closed Caption) nas cores preto e branco, com o número 2 acima e o termo “legenda” em rosa logo abaixo.
Os resultados do estudo apontaram que:
- Embora a legendagem seja amplamente utilizada como meio de acessibilidade, ela apresenta limitações significativas, especialmente quando se trata da compreensão de nuances linguísticas e culturais pelos surdos.
- A interpretação em Libras mostrou-se mais eficaz na transmissão de informações e na promoção de uma experiência mais imersiva para os surdos, proporcionando uma compreensão mais completa do conteúdo audiovisual.
No entanto, o estudo também destacou alguns desafios relacionados à interpretação em Libras, como a dificuldade em reconhecer as falas dos personagens em cenas com mais de duas pessoas. Além disso, questões relacionadas ao tamanho da janela de Libras foram levantadas pelos participantes, evidenciando a importância de considerar aspectos técnicos na implementação de soluções de acessibilidade.
No Decreto 5.296 de 2004, que regulamenta a Lei de Acessibilidade (10.098/00), estabelece a obrigatoriedade de disponibilizar intérpretes de LIBRAS em programas televisivos, bem como a inserção de uma janela com intérprete de LIBRAS para facilitar o acesso à informação. No entanto, apesar desses dispositivos legais, a participação dos surdos na produção cultural audiovisual ainda não é garantida, e muitas emissoras se limitam ao uso do closed caption (CC) como recurso de acessibilidade, ignorando a legislação existente. A falta de diversificação e ampliação dos recursos de acessibilidade para surdos é um desafio enfrentado pela mídia televisiva brasileira. Embora o CC seja amplamente utilizado, ele não proporciona acessibilidade plena, uma vez que não considera a língua nativa dos surdos, a LIBRAS, e pode apresentar falhas na transcrição, além de não atender a todos os programas televisivos.
#ParaTodosVerem. Na imagem, duas mulheres brancas se destacam: a primeira, com os cabelos presos e uma blusa preta, realiza uma selfie enquanto faz um gesto com a mão, levantando apenas o polegar, indicador e mindinho. A segunda mulher, logo atrás, tem os cabelos soltos, veste uma blusa de alça preta e destaca-se com batom vermelho. Ela aponta para o cenário ao fundo, onde se destacam as siglas “CCXP19”. Ao seu redor, observa-se uma cadeira branca e, na parede, a inscrição “Auditório Prime”, onde as cores predominantes são tonalidades de roxo, branco, azul claro e escuro.
Diante disso, na Conectar 360, comprometemo-nos não apenas em cumprir a legislação vigente, mas também em promover a inclusão em todas as suas formas. Reconhecemos a diversidade de públicos e buscamos atender às necessidades de todos, por isso, integramos recursos de acessibilidade, como legendas e Libras, em todos os nossos materiais visuais. Acreditamos firmemente na importância de garantir a acessibilidade como um direito fundamental, e é por isso que disponibilizamos esses serviços em todo o território nacional, contribuindo para tornar a comunicação e a informação acessíveis a todos, sem exceção.
Diante dos desafios e das soluções apresentadas neste estudo, fica claro que a escolha entre legendagem e interpretação em Libras como meio de acessibilidade audiovisual requer uma análise cuidadosa das necessidades e preferências da comunidade surda. Embora ambas as opções possam oferecer benefícios, é fundamental garantir que os conteúdos sejam apresentados de forma inclusiva e acessível, promovendo uma verdadeira igualdade de acesso à informação e ao entretenimento para todos.


